04/09/2025
- Weyni

- 4 de set. de 2025
- 12 min de leitura
Querido Diário, hoje senti que precisava escrever aqui. Diversas coisas aconteceram desde que fiz o meu último post com todo meu diário aqui.
Fiz algo "errado" que me dá um medo da consequência, larguei todos os meus remédios para a cabeça que tomava a 3 anos. E como futura psicóloga pode ter sido um movimento muito irresponsável da minha parte, mas como sempre falei sobre tudo eu não pretendo esconder que fiz isso. Não quero mais depender deles... Eu tenho tanta coisa a dizer nesse momento, meu cérebro é logicamente muito mais rápido que minhas mãos, mas vou tentar deixar o mais organizado possível todos os meus sentimentos e acontecimentos até agora. Quero começar falando do mais importante, o amor da minha vida, meu irmãozinho, meu companheiro, meu cachorro, Tibi. Faz um tempo que notei que ele estava incomodado com algo, as vezes se coçando, as vezes mancando, uma das coisas que a maioridade me trouxe foi uma autonomia dentro da minha mente, que me diz que eu posso ir atrás do que quiser, então eu fui, quase como mãe eu levei ele ao veterinário (mesmo fazendo mais de 1 ano que ele deveria ter ido), paguei suas consultas (meu pai está me ajudando com isso também) e não só isso, como eu estou cuidando dele a todo momento, aplicando remédios no horário certo, fazendo o possível para que ele se sinta amado, cuidado, e tenha a melhor qualidade de vida. Mas não é fácil, sei que o que ele tem não é grave se for cuidado e tratado, mas acredito que nunca precisei ter tanto cuidado com outro ser vivo como agora, e eu o amo mais que tudo, e isso me machuca ao mesmo tempo que é reconfortante. Eu não tenho vontade de ter filhos e ser mãe, porque amar outro ser para mim é tão intenso que temo ter responsabilidade e "controle" sobre outro alguém, e olhando para o Tibi, meu irmãozinho, eu não consigo me imaginar sendo mãe de um ser humano... Bom, além dessa dor em relação ao Tibi, recentemente também rompi com alguns colegas/amigos que conheci a 4 anos atrás. Meu servidor do discord sempre foi envolta dessa "amizade".
Quero contar aqui como foi para mim, mas não apenas isso como quero tentar colocar aqui como as coisas podem ter ocorrido de fato, não apenas o que senti.
Algumas vezes durante meus blogs eu consegui falar sobre a importância que o servidor tinha na minha vida, não uma importância de um pedestal, de um objeto super importante, mas ali eu acreditava que ninguém e nada poderia ter controle sobre mim, afinal eu sou a dona, tudo ali foi criado por mim, as pessoas também interagem porque eu faço o Hotel acontecer.
Eu gosto de conversar com as pessoas, de descobrir novos modos de pensar, novas vivências, e acredito que isso é um espelho da minha futura profissão.
Quero deixar anotado aqui antes que me esqueça sobre coisas que estou aprendendo na faculdade - E isso se encaixa muito bem com o meu servidor e quanto tempo posso acabar passando na internet, com tantos estímulos, e eu fico triste muitas vezes por saber que desde os meus 8-10 anos eu sempre estive em frente a uma tela, de alguma maneira tentando criar minha identidade e personalidade dentro de todo o meio virtual. Então sempre tive conta em todas as redes sociais possíveis, as vezes até com vários perfis.
Então apesar de toda a importância que falo do meu servidor, eu entendo toda a problemática pode estar por trás de estímulos o tempo todo, cuidando de algo simbólico e fictício para me sentir bem em algum lugar.
A maior parte das vezes é prazeroso, gratificante dar boas vindas a alguém que acabou de entrar no hotel, contar um pouco sobre mim e descobrir um pouco sobre outras pessoas, mas também se torna muito cansativo pensar que se eu não estiver lá essa dinâmica não acontece, e que tudo pode acabar se eu deixar que meus impulsos afetem aquele lugar.
Lendo isso acredito que entendam a grande problemática da situação, responsabilidades fictícias, ansiedades desnecessárias, e como isso vai afetando a minha vida? Até que ponto tudo que eu reclamo e o mal estar que sinto é decorrente de 8 anos em frente a uma tela?
Antes eu citei que rompi com amizades que havia conhecido a 4 anos atrás, conheci eles por amigos de amigo e assim vai, criamos um servidor para a gente poder interagir e conversar melhor, já que éramos em várias pessoas, e ali eu me senti parte de algo, quem sabe até não me sentia na minha matilha de lobos.
Existem fatos na minha vida, e eu os chamo de fatos porque os encaro como uma realidade, e não invenção. É muito comum que eu me perca para ter aprovação ou espaço, principalmente quando envolvem grupo de homens.
Quando você é pequena certamente não tem ideias do "eu" e do "você", do que são abusos, oq é a falta de respeito, você simplesmente desconhece tanto a palavra quanto o seu significado, e isso te faz entrar em lugares que hoje, eu mais crescida, entendo que eu nunca quis de fato estar, que aquilo não era bom para mim, e preciso entender também que não sou culpada por ter estado ali por tanto tempo, eu só desconhecia algo diferente isso.
O que falei acima é sobre amizades que conheci quando eu era pequena, 9 anos, eu tinha meu grupo de amigas aqui onde moro, mas não me encaixava, em compensação algo me atraia no meu grupo de amigos do colégio, o que os homens tem entre si era algo que eu almejava muito, eu sentia que eles tinham respeito um pelo outro, mesmo dentre tantas zoeiras eles eram os respeitados, eles eram mais, e se entendiam como mais que os outros também.
Eu nunca tinha estado tão próxima de tantos garotos, com 9 anos jogando vários jogos até de tarde com eles, aos poucos me sentindo que era um deles sem me preocupar, afinal que outra garota naquela sala conversava com eles e estava tão presente quanto eu?
Muito boba, claro, uma criança, aos poucos eu fui sendo xingada, rebaixada, humilhada, e eu nunca retruquei, eu não conseguia sequer entender o porque eles falavam isso, já que na minha cabeça eu era um deles, era amiga, parceira, estaria ali para jogar sempre que quisessem. Mas garotos aprendem que garotas não podem fazer parte da matilha deles, até porque essa "matilha/grupo" ele é moldado de forma nojenta a humilhar qualquer mulher, mesmo que inconscientemente, esses garotos eram tão jovens quanto eu, e eu cai em uma situação muito semelhante aos 18 anos, com homens (garotos) até mais velhos.
Então é claro que isso me corrói, é algo que carrego, eu lembro com muita dor quando eu saia de uma call chorando, sem conseguir entender esse sentimento de tristeza que me afligia, quando eu falava algo para o menino que gostava e automaticamente todos no dia seguinte já sabiam o que eu tinha dito. Aos poucos, com os meses passando eles passaram a me enxergar como "fêmea", passaram a conhecer a misoginia e se intitulavam assim com orgulho, com figurinhas nojentas, eu fico preocupada lembrando que todo mundo ali só tinha 10 anos, como será que os novos garotos que estão nascendo vão ser? E pior...esses meninos eram religiosos, como poderia uma escola religiosa me faz mal? pensava eu na época.
Bom de fato, eu gostava de um deles, e isso me mantia ali, lembro-me até de quando ficamos 11h seguidas em call jogando. Lembro também de quando estávamos em uma missão do GTA V e eu precisava abrir uma porta, eu não estava conseguindo e isso claramente foi algo que irritou eles, então começaram a me xingar, falar há tinha que ser mulher, e eu confesso a qualquer um que estava lendo que se um deles errasse qualquer que fosse a situação, o ódio nunca ia ser proporcional ao que uma garota merecia, e talvez de fato fosse em tom de piada, e que era muito engraçado para eles, mas eu não consigo achar justo me culpar por isso, dizer que a culpa era toda minha por estar ali e por eles falarem o que falavam.
Eu me sinto muito mal quando me tiram para louca, ou desvalidam qualquer sentimento meu, as vezes posso exagerar, mas dizer que não é válido? que é mentira? que a culpa é toda minha? isso é muito grosseiro, sinceramente é assustador o quanto as pessoas não se importam nada umas com as outras.
Eu precisei que eles fizessem o ato mais cruel possível de expor minha intimidade, o meu corpo a diversas pessoas para eu poder sair dessa, e "graças" a pandemia eu nunca mais vi o rosto deles.
É triste para mim pensar que mesmo passando 8 anos e eu ainda preciso falar sobre isso, ainda dói em mim esse sentimento de ser sido usada e maltratada. Aposto que para eles também era muito divertido ter uma menina de pet.
Já escutei algumas vezes "por que você não disse que isso te incomodava? se você não fala não tem como saber." Concordo com a afirmação, e também acho que com esse grupo de "amigos" se eu tivesse dito algo poderia me trazer uma dor ainda maior com as respostas, pelas atitudes já deu pra perceber que são pessoas que não se importavam com o meu bem estar.
Acho importante colocar aqui e que se encaixa muito bem com o que pode ter ocorrido nessa minha amizade mais recente com os meninos...
- O medo de perder o vínculo, e ter medo de ficar sozinha, pois talvez na minha cabeça fosse preferível suportar a dor do que perder o grupo;
- A falta de consciência sobre o que é um abuso, e não saber denominar o "mal-estar" que sentimos;
- Dependência afetiva, pois crianças dependem bastante do outro para construir sua autoestima e reclamar pode significar rejeição;
- Falta de recursos emocionais, porque não sabemos expressar os sentimentos complexos ou colocar limites de forma assertiva.
- E a naturalização do sofrimento, já que se se sempre quando somos tratados mal escutamos que "é brincadeira" acabamos acreditando que o problema é realmente nosso.
Tendo organizado tudo isso agora posso falar sobre o que aconteceu a uns dias atrás. Primeiro que é algo recente, então ainda consigo sentir um leve carinho por eles, mas preciso escrever sobre isso para tentar entender o que aconteceu comigo, os motivos do meu comportamento, e se agora estou de fato melhor pela atitude que tomei.
Com o tempo e amadurecimento a gente aprende a reconhecer e dizer "Isso me faz mal, não quero mais” e algo que me deixou triste, notar que mesmo depois de tudo isso que passei eu não conseguia dizer isso a eles, e nem entender o quanto aquilo abria feridas que já eram para ter cicatrizado a muito tempo, então claro, ainda me culpo por tão ter conseguido colocar em palavras antes para eles, mas que no fim isso também não é somente sobre eles, mas sobre mim, sobre minha dor também, então no momento não posso focar em o por que não ter dito antes, e sim no fato de ter conseguido agora.
Eu e eles não temos personalidades tão parecidas, e isso uma época foi até motivo de orgulho para mim, ter amigos que eu não concordava 100% (neste caso eles insistem em dizer que era brincadeira tudo o que falam, o que para mim não importa, já que eram piadas machistas e homofobias que agora entendendo que doía ainda mais por eu já ter passado por isso antes) e até poder ter uma amizade com elas, o problema é que com esse pensamento eu entrei no mesmo padrão.
Depois pensei, como poderia eu? Mariah, me entendendo como uma pessoa ativista estar perto de pessoas que zoam com temas que para mim são muito importantes e sérios. E isso é só mais uma coisa que me deixa mal, porque novamente a culpa nesse caso não seria deles, e sim minha por ter ficado ali.
(Também sei que estava muito difícil sair dessa porque eu gosto deles e é bom fazer parte de um grupo, te trás a leve impressão de ser protegida e fazer parte de um sistema maior. A presença deles também era "benéfica" para mim, pelo menos não me sentia sozinha, estavam no meu aniversário (e era como se eu pensasse "ninguém aqui sabe, mas eles me conhecem mais profundamente que todos vocês", também vieram aqui em casa beber comigo, e a última vez que vi eles foi indo a um bar comemorar o aniversário de um deles (inclusive no dia seguinte que tive uma crise e me afastei).
Por trás da base da história tem claro coisas muito importante, com o fato de mesmo sabendo deles por 4 anos a gente se viu no dia 02/08/2025, então é um tempo muito curto, 1 mês de amizade sendo construído apenas. Também passei a ver um deles com outros olhos depois que o conheci pessoalmente, e isso foi desandando as coisas.
Paramos de nos falar quando mandei uma foto do meu cachorro tomando banho em um grupo do Whatsapp nosso, e fizeram algumas piadas, dai houve um momento que soltaram um "não estamos rindo do seu cachorro, se for para rir de alguém é de você" e logo após falaram "nós somos o haters da Mariah" e tudo bem sabe, foi em tom de piada, na hora que li eu sabia disso, mas sinceramente acho que me veio tantas lembras da minha antiga amizade que soltei aqui, quando eu estava em um grupo de garotos q tudo que eu falasse era respondido com uma figurinha de ódio, a minha única reação foi sair do grupo imediatamente, eu não consegui dizer nada, eu não sentia que eu poderia dizer algo naquela situação, não me sentia segura, e foi isso, sai do grupo e logo após me chamaram no discord, eu tentei explicar da maneira que conseguia sobre como estava me sentindo, e que realmente naquele dia eu não estava vem, TPM e estresse e depois meus amigos me zoando, não foi uma combinação nada agradável, eu me senti mal.
Sinceramente, sendo bem sincera mesmo, eu poderia ter ficado brava e as coisas ficaram bem depois, o pior foi a reação deles, "você está mal porque ficamos jogando tomates em você?" (reagindo a mensagens com tomates) e sim talvez sim eu fique as vezes incomodada quando qualquer coisa q eu falo era reagido com um tomate, e eu de verdade entendia a brincadeira e até tentava aproveitar ela pra me divertir, me lembro até de pensar "o que esses tomates significam para eles de verdade? o que querem dizer?"
Claro que a resposta não foi só uma invalidação do que eu sinto, mas foi seguido de "não vamos mudar" (pela pessoa que no momento eu estava começando a ter sentimento românticos) "você está exagerando muito" "eles não são seus amigos, são meus" "você está se vitimizando" e porra tudo voltou como um meteoro na minha cabeça, toda essa dor que eu não sabia como lidar, nunca soube como responder a esse tipo de coisa, então eu só sai do meu servidor, o lugar q eu gostava, eu só pensei em sair não pensei em ficar ali lendo eles falarem o quanto eu estava exagerando e etc. Um deles era muito próximo a mim, eu contava a ele sentimentos profundos, e isso me fazia acreditar que poxa eu posso contar com ele, não importa o sentimento que tivesse. Mas como dessa vez talvez tenha batido no ego, porque foi ele que falou essas brincadeiras para mim, naquele momento a única coisa que ele conseguia falar é que eu estava exagerando, e de certa forma entendo que pra ele e para qualquer pessoa não é a coisa mais fácil do mundo lidar com tantos sentimentos , e que naquele momento já não tinha mais o que ser feito. Mandei diversos áudios para ele, falando como me sentia e tals, e não teve palavras de conforto, e claro que não teve, segundo eles isso pé fraqueza, amigos de verdade falam a "verdade" não passam a mão na cabeça, não aplaudem os amigos, amigos de verdade não confortam, eles batem para que quando alguém de fora de bata você já esteja pronto para se defender.
Que amizade de merda, acho que disse essa frase algumas vezes a eles.
Depois do que aconteceu eu acabei deixando de seguir todos para não ver nada sobre eles, e também como forma de tornar essa separação o mais real possível para mim. Alguns deles também me pediram desculpas, e pra mim isso é muito válido, eu realmente abracei as desculpas, apesar de não estamos com contato frequente eu disse a eles que a única coisa que eu estava precisando era um desculpa ou uma palavra de conforto.
Amigos não precisam passar a mão na sua cabeça ou sei la chupar a sua pica como dizer por ai, mas amigos sabem que quando o outro está mal precisando de acolhimento, não vão lá dar mais tapas, e foi isso que machucou.
No fundo sei que não é fácil para ninguém lidar com pessoas impulsivas e intensas, as vezes um pouco dramáticas, mas se não for com respeito e carinho, eu não quero mais na minha vida. E sinceramente, minha mente me engana tanto que as vezes sentia genuinamente que o desejo deles é que eu fosse embora, então eu fiz isso, e hoje em dia eles devem se sentir melhor, e eu, eu já não sei bem o resultado disso, é libertador dar tchau a pessoas que não te respeitam mas é uma prisão sentir que você carrega a culpa por isso, e que talvez se eu não fosse quem sou, essa amizade ainda existiria.
Eu entendo que meu texto pode estar distorcido, é quase inevitável, então se você que estiver lendo se incomodou com algo que eu disse, ou tem algum ponto em especifico que você notou uma distorção da minha parte, fique a vontade para escrever aqui na sessão de comentários.
Au Revoir.
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